Paulo O Redator

AINDA É DIA DA MULHER

Eu, “comunista dos infernos”, hoje quero escrever sobre as “feministas dos infernos”. E quero começar esclarecendo que FEMINISMO não é antônimo de MACHISMO. O feminismo é uma luta de mulheres pela vida e pelos direitos iguais, não para usurpar o espaço dos machos da espécie. O machismo é uma luta pela manutenção do patriarcado, pela castração dos direitos da fêmea da espécie, e promove a morte. O machismo MATA todos os dias.
O Feminismo não. Quando um padre vem a público dizer que “a violência contra a mulher acontece porque ela não obedece a seu marido”, isso nos mostra o quanto certos setores da igreja desajudam nessa luta. Graças ao patriarcado judeu, a Bíblia, escrita no contexto da cultura judaica, fala em submissão feminina, mas não legitima a violência. Muito pelo contrário, orienta os maridos a amá-las a ponto de morrerem por elas, como o Cristo fez por uma humanidade quase nunca obediente a Ele.
Quando uma pastora-ministra de um “estado evangélico”, perdendo sua laicidade, vem a público dizer que a violência contra a mulher existe graças ao discurso feminista da igualdade de direitos, o que faz com que os meninos entendam que podem bater nas meninas porque já que são iguais, podem apanhar, ela legitima a pancadaria entre meninos/homens e mostra toda a sua ignorância e estupidez ao apelar para o senso comum, dispensando pesquisas, estatísticas, sensibilidade enquanto mulher. Estamos no fundo de um poço que pode afundar ainda mais.
Uma mulher pode não querer participar da luta feminista, mas ela precisa saber de algumas coisinhas bem basiquinhas conquistadas por essas mulheres da luta, porque se dependessem das belas, recatadas e do lar e das libras que chegam bem perto do poder estariam fritas. Vejamos uns exemplinhos:
1) Se hoje uma mulher pode escolher com quem vai fazer amor ou sexo, louvado seja o FEMINISMO. Antes eram os pais que escolhiam. E elas não podiam desistir. Era pra sempre, apanhando ou não.
2) Se hoje uma mulher pode trabalhar fora e não ser obrigada a entregar seu dinheiro ao marido, louvado seja o FEMINISMO por duas lutas: uma pelo direito de trabalhar; outra pelo direito de ficar com o próprio salário.
3) Se hoje uma mulher pode votar, mesmo que tenha votado no Excrementíssimo, e não seja obrigada a votar no candidato do marido, louvado seja o FEMINISMO por mais duas lutas: uma pelo voto feminino; outra pela independência desse voto.
4) Se hoje uma mulher escolhe sua própria roupa e não mais o pai ou o marido, louvado seja o FEMINISMO.
O FEMINISMO, meninas e mulheres, não quer proibir que você “lave, passe, cozinhe para o seu maridinho porque ele merece”; o FEMINISMO quer que você tenha o direito de fazer isso ou não; que você faça se isso te faz bem; mas que você não tenha que fazer pelo simples fato de ter nascido sem pinto, porque “manda quem tem pinto e obedece quem tem cérebro”.
Eu já participei de muitos embates com mulheres sendo eu defendendo o feminismo. O processo que desencadeou minha “auto”exoneração do Ministério de Educação Cristã de uma igreja batista após sete anos de atuação começou graças a intervenção de uma mulher, da minha equipe, que questionou, numa espécie de denúncia interna, que as revistas de estudos bíblicos que eu escrevia estavam “muito tendenciosas e feministas.
Ele está exagerando no discurso feminista de exautação da mulher…” Nessa revista eu apresentava Maria, a mãe de Jesus, e Maria Madalena como mulheres empoderadas, próximas do Cristo, e com capacidade de diálogo e interferência em ações dele. Depois dessa denúncia, que não foi a primeira, veio uma avalanche, culminando, da parte de um pastor, com a inaceitância de que eu me referisse a Leonardo Boff como o “nosso irmão”.
Aí desandou tudo mesmo. Enfim, estou acostumado a defender o FEMINISMO diante de mulheres. E não as culpo por essa resistência. São vítimas de lavagem cerebral de um patriarcado que encontra apoio na voz de padres e pastores domingos após domingos, por toda a sua vida e formação. São mulheres, que para agradar seus maridinhos fofinhos, antes deles, elas já tomam a iniciativa de criticar a mulher que dirige o carro a frente: “Tinha que ser mulher dirigindo”.
O capitão do mato, no período da escravidão, era preto ou filho de preto, que sonhava ser o opressor e que se sentia bem ao lado deste. Parece natural, embora inaceitável, que hoje tenhamos mulheres reproduzindo o discurso do opressor para ficar bem diante dele. E juntos vão bater altos papos sem conflitos, como querem quase todos os representantes das igrejas e todos desse governo. “Aquela menina que foi estuprada vivia andando por aí de minissaia”.
“Bem feito, aquela mulher, de 55, queria tirar onda namorando um garoto de 27, olha no que deu”. “Ela vivia desafiando o marido, por isso apanhou… normal.” “Mulheres querendo ser pastoras, onde já se viu?” (A Igreja Batista, apesar de todas as resistências de alguns pastores machinhos arcaicos, já resolveu isso. Desde 2014 temos pastoras….uhhuuu…).
Enfim, minhas queridas meninas feministas, mesmo vocês sendo feias, segundo nossa ministra da mulher, não desistam da luta e continuem dando voz a todas as mulheres, inclusive àquelas que chamam vocês de “feministas dos infernos”. Feminista de carteirinha eu não posso ser porque nasci menino, mas onde eu tiver voz, vocês também terão. Contem com esse “conunista dos infernos”. Sempre.
Por Isac Machado de Moura

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